How Pandora Was (almost) Won
Não entenderam o título? Ok, eu explico. How The West Was Won, ou A Conquista do Oeste, na versão brasileira, é o nome de um épico western do cinema americano (1962) que conta a história do desbravamento e conquista do oeste dos Estados Unidos durante o século XIX. Mas e o que isso tem a ver com o filme Avatar de James Cameron deste ano? Ok, ok, eu explico.
How The West Was Won, ou Como o Oeste foi Vencido, fazendo uma tradução literal, conta muitas histórias, dentre elas, a do contato (nem sempre pacífico) dos americanos aventureiros com os índios daquela região, e é exatamente nesse ponto que os dois filmes se relacionam. Avatar é (ou pode ser considerado) uma versão extraterrestre de How The West Was Won ou tantos outros filmes do gênero, que retrata o expansionismo desenfreado e inescrupuloso do homem civilizado sobre os nativos das recém descobertas terras. Fica clara a alusão aos caras pálidas e aos peles vermelhas em Avatar, neste caso azuis, obviamente. A história é praticamente a mesma, somente o cenário (e que cenário!) muda. A descoberta do novo mundo, a tentativa de colonizá-lo, educar os nativos de acordo com os costumes terráqueos, e quando a diplomacia começa a falhar e os atritos começam a aparecer, o homem branco, munido de tecnologia avançada e a ganancia que nos é peculiar, ataca impiedosamente os habitantes de Pandora com todo seu poderio bélico disponível, com o intuito de sugar as riquezas do planeta.
Confesso que fiquei envergonhado e triste com o que o homem é capaz de fazer em nome da ganancia, da riqueza, do material, de coisas que achamos (e muitas vezes temos certeza) que são necessárias quando na verdade não são. Vendo os Na’vi viverem como os índios viviam, em harmonia com a natureza, respeitando-a e tirando desta seu alimento, e acima de tudo, sendo felizes, percebe-se como a humanidade é fútil e mal agradecida. Não basta ter apenas comida, precisamos do Orkut, não basta apenas água, necessitamos de celulares, não basta apenas oxigênio, precisamos de carros, computadores, tele entrega, Big Brother, Twitter, novela, MSN, etc. A humanidade é uma patricinha mimada e ingrata que recebe tudo o que precisa e o que não precisa de seu pai e ainda assim sempre quer mais, com o pretexto de que sem aquilo, não pode nem consegue viver. Essas e outras mensagens são passadas por Cameron, no entanto, deixemos de filosofar e divagar, vamos aos aspectos mais técnicos do filme.
Um povo oprimido, o surgimento de um herói, a revolta, a batalha final e o final feliz. Esses são elementos que conduziram muitos filmes até hoje, e com Avatar não foi diferente. A previsibilidade, é um fator negativo do filme, mas filmes de aventura e ação são feitos para divertir, entreter, fazer sonhar, e nesse quesito posso dizer que Avatar foi bem sucedido, pelo menos na minha humilde opinião. Mas essa mega hiper ultra master produção tem pontos fortes que saltam aos olhos, literalmente. Cameron cobriu de efeitos 3D e com os mais avançados recursos tecnológicos, a exuberância e beleza de Pandora e de seu povo. Tudo nesse mundo é grande, colorido, misterioso, belo, assim como perigoso. Pandora é quase um Jardim do Éden, um paraíso, a Terra Prometida ou ainda a ilha de Lost, um lugar fantástico e utópico que dá vontade de conhecer de verdade. Tem gente inclusive que já está entrando em depressão, e até pensando em suicídio, pois nunca vai poder conhecer Pandora, como gostariam.
Reumindo. Avatar é um filme inovador e surpreendente do ponto de vista visual e tecnológico, porém, deixa a desejar em termos de enredo. Se você quer ver (no sentido literal mesmo) algo diferente se divertir, se empolgar, se emocionar, Avatar é o filme certo para isso.
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