“Não temos homossexuais no Irã!”. Quem afirmou com tanta veemência isso é Mahmoud Ahmadinejad, presidente no Irã e machão de carteirinha em sua visita ao Brasil no começo desta semana. Se eu fosse iraniano e vivesse naquele país, com certeza nem questionaria a palavra de Ahmadinejad, pois esta no Irã é lei, e ir contra ela é muito arriscado para qualquer um, para os gays então, nem se fala, já que estes são vistos como criminosos por lá. Mas como sou brasileiro, vivo no Brasil e a ditadura já acabou faz tempo, fico tranquilo postando isto no meu blog.
Mas tal afirmação me deixou com a pulga atrás na orelha. “NÃO TEMOS
HOMOSSEXUAIS NO IRÃ!”. Será? Pelo menos é o que ele pensa, afinal, os gays que o governo dele conseguiu pegar certamente não estão mais aqui pra contar história e os outros homossexuais iranianos que “não existem” com certeza devem estar em algum canto daquele país coçando o saco enquanto assistem futebol e bebem cerveja, falando grosso e cuspindo no chão.
Não satisfeito com essa história de “Não temos homossexuais no Irã!”, comecei a pesquisar na internet pra ver se isso era verdade mesmo, e não é que para minha surpresa, encontrei uma fotografia que põe o senhor Ahmadinejad em xeque:
Não preciso nem dizer que este é um “sósia” (que a estas alturas já deve estar debaixo da terra), é claro, mas brincadeiras a parte (pegou mal presidente), o negócio é sério mesmo, e não somente os homossexuais sofrem na terra dos machões, as mulheres também pagam seus pecados por lá, que dizer, elas nem têm a chance de cometer algum, mas mesmo assim, pagam da mesma forma. No entanto, embora as mulheres não tenham voz no Irã, uma delas, Azar Nafisi (www.azarnafisi.com), professora de literatura inglesa na Universidade Johns Hopkins, em Washington, escreveu o livro Lendo Lolita em Teerã. O livro relata a experiência de Nafisi e de sete alunas da época em que ela lecionava na Universidade de Teerã. Por dois anos elas desafiaram a repressão do regime em encontros semanais onde discutiam autores proibidos no país, como Henry James e Vladimir Nabokov. Segue abaixo um trecho do livro:
A idade mínima para o casamento passou de 18 para 9 anos. O
apedrejamento até a morte se tornou o castigo para o adultério e a prostituição. Nos ônibus, adotou-se a segregação. Destinaram-se às mulheres a porta traseira e os assentos no fundo do veículo… Um vestígio de maquiagem, uma mecha de cabelo para fora do véu e eles vinham, implacáveis. Prendiam-nos, arremessavam-nos para dentro de carros, deixavam-nos emprisões imundas, chicoteavam-nos. Por fim, jogavam-nos
nas ruas. A situação era pior para as solteiras. Muitas de minhas alunas tiveram de passar por coisa pior, como o teste de virgindade. Não havia nada mais humilhante e nojento do que aquilo, feito em qualquer lugar, sem nenhuma assepsia, a qualquer hora. Quantas jovens não foram presas e chicoteadas só porque, sem querer, cruzaram o olhar com o de um guarda?
Pois é pessoal, pleno século 21 e ainda acontece esse tipo de coisas no mundo. Lamentável…
Ah, e como quase sempre meus posts terminam com videozinho, vou deixar aqui o n° 1 nas paradas de sucesso gay do Irã.
“I’ve got to be, a macho man…”
“Eu tenho que ser, um macho man [ou serei decapitado]“













