“Essa garotada de hoje perdeu toda a experiência de colocar fones de ouvido, pôr o volume no 10, segurar a embalagem do LP, fechar os olhos e se perder em um álbum…”, declarou Jon Bon Jovi em entrevista recente a um jornal inglês. Segundo o cantor, um dos principais culpados por isto ter acontecido é Steve Jobs. Não sou tão radical quanto o Jon, mas concordo com ele em partes.
Após a disseminação da internet e do surgimento do formato mp3, muito dessa magia, desse ritual que envolvia a descoberta de um novo álbum, se perdeu, dando lugar a arquivos insípidos, inodoros e incolores de música compactada que hoje podem ser encontrados aos montes com muita facilidade pela rede. “Mas isso é bom!”, você deve estar pensando. Poder baixar em poucos minutos um álbum completo do artista que quiser sem precisar sair de casa, e o melhor, sem gastar nada. É claro que isso é bom, eu mesmo admito que baixo música todos os dias, muita música, aliás. Mas eu nasci em uma época onde a música tinha corpo, cor, cheiro. Você podia tocar, olhar, fazer o que quiser com ela. Comprar um disco ou uma fita cassete de algum artista era quase como se tornar amigo dele. Você o convidava para ir a sua casa e dava valor à amizade que ali nascia, muito valor, tanto que na maioria das vezes esse sentimento durava para sempre. Já hoje, isso não acontece. A música se
transformou em kbytes, megas, gigas estocados em HD’s cada vez maiores. A música está sendo banalizada. Virando pano de fundo pra fazer faxina, conversar no Messenger, fazer sexo, trabalhar, cozinhar, dormir, entre muitas outras coisas. Pouca gente hoje em dia ainda pega um bolachão nas mãos, ou mesmo um CD, senta pra ouvir e presta atenção, dando ao artista e à obra, o devido valor e respeito que merecem. Quanto maior a quantidade e maior a facilidade para se adquirir tal produto no mercado, menor é seu valor. É a lei da oferta e da procura.
Steve Jobs não é “o responsável por matar a indústria da música”, como diz Jon Bon Jovi em seu desabafo muito mais do que compreensível, Steve Jobs, assim como muitos outros, tomaram carona neste poçante chamado evolução tecnológica e atenderam a uma demanda feita por público cada vez mais jovem e alienado. É, Jon, meu amigo (posso chamar ele assim porque já tive um cd da banda dele), sou solidário à teu drama. Mas o que podemos fazer? Hoje resta, para nós, saudosistas melancólicos, guardar as memórias e os bons vinis de um tempo que não volta mais com a esperança de que alguém um dia volte a dar à música (à boa música) seu devido valor.











