Originalmente publicado no site RPG Brasil.
Saudações, pessoal!
Dando continuidade ao meu post anterior, sobre o Horror Pessoal, falarei um pouco mais sobre este assunto, o qual é muito importante para quem quer entender a essência de Vampiro: A Máscara, e jogar tal jogo da forma como inicialmente este fora concebido. Bom, sem mais delongas, vamos logo ao que interessa!
3 – Estagnação
Nos post anterior falei sobre as mudanças que acontecem em torno do vampiro quando este é Abraçado, assim como sobre o inimigo interior que este deve combater noite após noite, a Besta. Agora falarei sobre as mudanças físicas, as mais visíveis (ou não, como veremos), que acontecem quando um humano se torna um vampiro.
Falando sobre mudanças físicas, a primeira coisa que você deve ter em mente é você nunca mais vai mudar. Seu personagem, seu vampiro, manterá a mesma aparência que tinha na noite em que foi Abraçado até sua Morte Final. O mesmo corte de cabelo, comprimento e cor, o comprimento das unhas e da barba. Piercings colocados depois do Abraço caem naturalmente algumas noites depois, assim como as tatuagens. Qualquer mudança corporal é revertida de forma sobrenatural, exceto as mudanças que foram feitas através de meios sobrenaturais, geralmente com a disciplina Vicissitude.
A estagnação atinge o vampiro não somente em sua carne. Seus hábitos, costumes, comportamento, também param no tempo. Esta característica é melhor observada em vampiros anciões, que viveram como humanos séculos atrás. Estes, nos dias atuais têm dificuldades em absover as mudanças, alguns nem mesmo fazem questão de adaptarem-se a isso. Eles não gostam de tecnologia ou novos costumes. No entanto, é importante esclarecer que isto não é uma regra. Nada impede que exista um Ancião nerd, geek. Nosferatus normalmente fazem bastante uso da tecnologia, por exemplo, porém, a maioria dos vampiros com um número considerável de noites nas costas prefere (ou é obrigado por alguma força obscura) a manter seus antigos hábitos e costumes que possuíam quando ainda eram humanos. Forma de falar, vestir, pensar, seus gestos, tudo isso permanece da mesma forma de acordo com a época e local onde o vampiro vivia antes do Abraço.
Traduzindo estas informações para termos de jogo, podemos deduzir que a estagnação é uma característica muito importante dentro do Horror Pessoal. Seja o vampiro um ancião ou um neófito, a maldição da estagnação é severa para ambos. Um ancião provavelmente já não suporta viver da mesma forma que séculos atrás. Ver o mesmo rosto no espelho (não aplicado a Lasombras), viver uma rotina secular. Para um neófito a estagnação também é implacável, embora um pouco menos que para os anciões. Abraçado há pouco tempo, e vivendo em uma sociedade onde revoluções ideológicas, tecnológicas e comportamentais acontecem quase todos os dias, o neófito se sentirá cada vez mais velho, sentirá cada vez mais dificuldades em acompanhar as mudanças a sua volta. Pense no vampiro como sendo uma sequóia milenar e forte, porém, com raízes muito profundas.
4 – Parasitismo
É muito comum ouvir em VaM que os humanos não estão no topo da cadeia alimentar, e sim, os cainitas. Isso se deve ao fato de os vampiros verem a si próprios como predadores, e os humanos, como sendo sua presa. Esse pensamento é muito mais defendido pelos neófitos que ainda vivem a ilusão de poder que a condição vampírica os proporciona, porém, a medida que os anos vão passando, esse neófito percebe que antes de ser um predador (o que também não deixa de ser verdade) ele é um parasita.
Os vampiros, mesmo sendo seres imortais com poderes sobrenaturais incríveis, ainda assim, têm suas necessidades básicas. Os humanos necessitam de no mínimo comida, água e oxigênio, no mínimo, já os vampiros necessitam somente de sangue. E são os humanos, basicamente, que servem de fonte de alimento para os vampiros, ou seja: no humans, no vampires.
Fora a dependência fisiológica, existe a dependência social, política, econcômica, etc. Para manterem-se protegidos sob a proteção da Máscara (não aplicado a membros do Sabá), os vampiros devem controlar o rebanho (humanidade). Das sombras, estes parasitas estendem seus tentáculos sobre personalidades importantes dos mais variados setores da sociedade humana, controlando estes como fantoches. Dessa forma os vampiros adquirem riqueza, poder, influência, para levar adiante seus interesses pessoais e coletivos, tudo isso sugado da humanidade.
A relação de dependência vampiros/humanos é clara e inevitável para os cainitas. A sobrevivência da sociedade vampírica é diretamente ligada aos recursos e desenvolvimento da sociedade humana. Por esses e outros motivos, quando você estiver jogando com seu vampiro e começar a pensar em matar humanos indiscriminadamente, apenas pelo fato de poder fazer isso sem medo de maiores consequências, pense bem antes de fazê-lo, pois os vampiros precisam muito mais dos humanos, do que os humanos precisam do vampiros.
É, pessoal, sei que o assunto está se estendendo um pouco além do previsto por mim, mas vale a pena conhecer mais sobre este assunto. Ele é muito interessante e indispensável para captar a verdadeira essência de Vampiro: A Máscara.
Um abraço a todos e até a próxima!



















